Jorge da Mangueira

Jorge da Mangueira

Se no Maracanã, palco oficial da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, Vanderlei Cordeiro de Lima foi o encarregado de acender a pira, no Boulevard Olímpico, onde fica a apelidada “Pira do Povo”, o gesto coube a um adolescente, cria da comunidade da Mangueira, na Zona Norte do Rio, Jorge Alberto de Oliveira Gomes, de 14 anos.
O jovem, que pratica atletismo, mostrou nervosismo – e ao mesmo tempo empolgação – para gravar seu nome na história, ao acender a pira na primeira Olimpíada na América do Sul. “O porquê eu fui escolhido, não sei (risos). Mas o Chiquinho da Mangueira falou com a minha treinadora para escolher alguém de 14 ou 13 anos que fosse negro e lá da Mangueira, e eu fui o escolhido. Faço atletismo, a minha especialidade é a corrida. É muita emoção, não esperava e fiquei muito feliz. Minha mãe me ligou falando que estava emocionada, vendo pela TV e esperando esse momento aguardado”, disse o atleta.
Jorge nasceu na comunidade da Mangueira e viveu até os 8 anos de idade num abrigo. Duas irmãs biológicas dele já tinham sido adotadas quando, em 2010, Ana Oliveira o conheceu no abrigo e resolveu adotá-lo. “Ele é um filho muito bom. E uma felicidade, um orgulho. Nada supera a alegria de ser a mãe dele, nenhum espetáculo”, disse Ana, que tem outros dois filhos e que sonhava em poder adotar uma criança.
Com pouca intimidade diante da imprensa e econômico nas palavras, Jorge afirma que espera se tornar atleta olímpico nos próximos anos e, quem sabe, poderá representar o Brasil em 2020, nos Jogos de Tóquio, no Japão. “Eu quero ser atleta profissional para dar muitas medalhas ao Brasil. Acreditem nos seu sonhos”, finalizou Jorge.

Fonte: O Globo – Foto: Reprodução